Senador Adelmir Santana questiona novo acordo ortográfico
Confira abaixo trecho do discurso do Senador Adelmir Santana (DEM-DF) proferido em plenário do Senado, no último dia 25 de fevereiro, questionando os reais benefícios do novo acordo ortográfico para a nação brasileira.
“Há, entretanto, ceticismo quanto aos benefícios do acordo ortográfico. Alguns questionam a possibilidade de ampliar os mercados para a produção em língua portuguesa pelo simples fato de unificar a grafia das palavras. José Saramago, Eça de Queiroz e Miguel Sousa Tavares não são sucesso editorial no Brasil do jeito que estão? Há mesmo real necessidade de promover mudanças? Os custos não serão maiores que os benefícios? Afinal, desaprender o que é certo é bem mais custoso que aprender o errado!
Outros apontam a variabilidade gráfica como virtude e não defeito do processo lingüístico. As diferenças nos vocábulos seriam sinônimo de riqueza e diversidade e seria um erro aniquilá-las. O custo da diferença seria mínimo e não impediria a compreensão do português, argumentam. Na outra ponta, outros gramáticos, mais conservadores, reclamam da aceitação de grafias múltiplas para as palavras, que provoca confusão e dificulta o aprendizado da maneira correta.
Há, ainda, outros estudiosos da língua portuguesa, como o professor Ernani Pimentel, que lamentou em recente publicação sobre o Acordo a oportunidade perdida para simplificar a ortografia e diminuir o alto custo pago pelo país para manutenção de uma ortografia desorganizada.
Sustenta o professor Ernani que exceções criadas e ou mantidas no Acordo encarecem enormemente o custo da língua, porque obrigam o indivíduo a estar, a todo o momento, consultando um dicionário, pelo resto da vida. Multiplicando todo esse tempo pelas centenas de lusófonos, pode-se ter uma idéia do absurdo desperdício de tempo e dinheiro.”