Expansão da gedas começa no Paraná
A chegada ao segundo maior pólo automotivo do País deve gerar aumento de pelo menos 10% na receita da empresa, já em 2003
A gedas, empresa de tecnologia da informação (TI) especializada em serviços e soluções para as indústrias automotiva, financeira e de manufaturas em geral, está criando nova unidade de negócios em Curitiba. A idéia, segundo o diretor de marketing e desenvolvimento de negócios, Alexander Schmitz-Kohlitz, é explorar o potencial da região, que deve compor, já no primeiro ano, 10% da receita da empresa prevista para este ano – cerca de R$ 100 milhões, contra R$ 80 milhões em 2001.
O executivo explica que a decisão de desembarcar no mercado paranaense faz parte do programa de expansão da gedas, que prevê a conquista de clientes dos diversos setores da economia e a instalação de escritórios fora do Estado de São Paulo. Em Curitiba, a gedas já tem como cliente a Volkswagen, para a qual, além de serviços de outsourcing total de TI, desenvolveu uma série de produtos e serviços, com destaque para as soluções que permitiram à montadora e seus fornecedores se organizarem numa cadeia de suprimentos que costura as cinco plantas: Anchieta, Curitiba, Resende, São Carlos e Taubaté. Outros dois projetos importantes foram a homepage da montadora e, recentemente, o site do Novo Pólo, responsável pelo incremento das vendas do modelo via Internet.
“Agora, é o momento de capitalizar a experiência transplantando-a para a indústria automotiva em geral e empresas dos demais setores da economia instaladas no complexo industrial de Curitiba e regiões vizinhas”, anuncia Schmitz-Kohlitz. O investimento inicial no mercado paranaense, segundo o diretor de marketing, é igual a zero, uma vez que a gedas vai utilizar o escritório já montado na Audi, dentro do Pólo Industrial, e empregar a equipe de 40 especialistas que hoje incorpora, ao mesmo tempo, o know-how tecnológico e experiência no que se refere ao perfil de negócios da indústria automotiva, adquirida no atendimento à Volkswagen. Se houver demanda, sobretudo no que se refere a desenvolvimento de soluções sob medida, a gedas deverá fazer novos investimentos, em especial, na contratação de mão-de-obra.
Não é apenas a base já disponível na região que anima a gedas. “Nossos concorrentes ainda não tomaram a decisão de se instalar no Paraná”, diz o diretor de marketing, referindo-se, entre outros, à IBM. Mas ele divisa outros fatores que pesam a favor da empresa. “A experiência de atendimento à Volkswagen e seus fornecedores faz da gedas uma empresa de TI preparada para atender a indústria automotiva em geral. Além disso, dispomos de talento para desenvolver soluções sob medida, que respeitam as peculiaridades regionais, mas com o know-how adquirido em grandes projetos internacionais. Finalmente, temos o respaldo financeiro do Banco Volkswagen, que nos permite facilitar o acesso das empresas às soluções, em condições especiais”, enumera Schmitz-Kohlitz.
Mas o que mais conspira a favor da gedas é o potencial da região na qual, por enquanto, ela está sozinha. “O Paraná tem grande importância estratégica no Plano de Negócios da gedas. Atualmente, é um dos maiores centros de excelência quando se trata do desenvolvimento de soluções de TI aplicadas à melhoria de desempenho dos negócios”, acrescenta José Elias de Claris, gerente de tecnologia da planta Curitiba.
“A grande concentração de indústrias cujo perfil de negócios demanda produtos e serviços de TI de alto valor agregado, faz do Paraná e, em especial, de Curitiba, um dos mercados potencialmente mais interessantes, e que nós podemos atender de maneira plena e personalizada”, reforça Denise Sanches Bortoluzzi, que está assumindo a gerência comercial da gedas no Paraná e regiões próximas.
No espaço de sete anos, atrás apenas do Estado de São Paulo, o Paraná tornou-se o segundo pólo automotivo do País, crescendo acima da média nacional. De 1995 a 2001, as montadoras de veículos e seus fornecedores investiram naquele mercado cerca de US$ 6 bilhões, gerando mais de 98 mil empregos, diretos e indiretos. Hoje, a produção anual gira em torno de 150 mil veículos, volume que, somente no ano 2000, traduziu aumento de 145%. O crescimento médio anual, desde 1995, é superior a 100%.
Com esses números, o Paraná mais do que dobrou sua participação no setor automotivo, saindo dos 4%, em 1995, para 8,5% no ano passado. A receita anual de exportação, depois de saltar 389% no ano 2000, passa de US$ 800 milhões, respondendo por 17% da receita gerada pelo conjunto dos setores produtivos na região.