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Se não tentarmos, perderemos, sem sequer saber se poderíamos ter vencido
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Se não tentarmos, perderemos, sem sequer saber se poderíamos ter vencido

Por Sergio Junqueira Arantes *

"Posso lhe dar tudo; tudo, menos o tempo.” “Não podemos dizer que o passado é passado, sem renunciar ao futuro.” Winston Churchill

"Ao negligenciar os valores, tradições, símbolos e princípios que constituem o arcabouço da civilização, a sociedade perde seu principal referencial de liderança. O temor da impopularidade afasta a classe política das reformas do Estado e a leva a institucionalizar a mediocridade.” Luiz Felipe D´Avila

Pela terceira vez São Paulo é eleito o melhor Destino para Eventos do Brasil, no Prêmio Caio. Aproveitando o novo momento vivido pela capital paulista, em que tanto o Anhembi como o SPCVB estão sob nova direção, este ano a revista EVENTOS, ao invés de produzir uma nova reportagem mostrando a infra-estrutura e a enorme gama de serviços disponíveis na cidade, e os muitos eventos que sedia e justificaram este tri-campeonato, optou pela apresentação de uma proposta que acreditamos ser pertinente e realizável, até mesmo por estar de acordo com o pensamento do novo presidente do Anhembi, Caio Luiz de Carvalho: “Precisamos agregar valores, aproveitando o aspecto eventos, que é a nossa praia”, "precisamos encarar São Paulo como uma megacidade” e não “termos preguiça de exercitar a criatividade.”

Cinco anos atrás o Brasil comemorou os 500 anos de seu descobrimento de maneira pífia e vergonhosa. Uma grande oportunidade foi perdida. Cerca de 80 anos atrás, quando se comemorou o primeiro centenário da Independência do Brasil, os festejos programados foram de tal monta e a participação de autoridades estrangeiras de tal gabarito, que para recepcioná-las o então presidente da República, Epitácio Pessoa, solicitou a empresários proeminentes que construíssem hotéis condizentes com a importância dos hóspedes aguardados. Esta a origem do Copacabana Palace e do Hotel Glória, dois empreendimentos de que até hoje o Rio de Janeiro, e o Brasil, se orgulham. Época diferente, tempo de empresários que aliavam o amor à sua terra à coragem de realizar seus sonhos; tempo de homens públicos que ousavam pensar e planejar o futuro, sem pensar apenas no votos do presente.

Naqueles idos de 1922, quando as comunicações eram muito mais difíceis e as viagens levavam dias ou semanas, o Rio de Janeiro ousou realizar uma Exposição Mundial, evento de tal magnitude que até hoje lembranças de sua realização podem ser observadas na cidade, a exemplo do Pavilhão Francês, hoje sede da Academia Brasileira de Letras.

Por coincidência ou não, naquele mesmo ano, em São Paulo foi realizada a Semana de Arte Moderna, marco na história artística nacional.

Pois bem, faltam cerca de 15 anos para que o Brasil comemore o Bicentenário de sua Independência e o Centenário da Semana de Arte Moderna. Pode parecer um longo tempo, mas não é, se desejamos que os festejos estejam à altura da importância da efeméride e do país.

Considerando que a Proclamação da Independência aconteceu em São Paulo – no Riacho do Ipiranga -, que os primeiros festejos ocorreram no Teatro São José, na mesma cidade, e, mais ainda, a oportunidade de se comemorar conjuntamente o Centenário da Semana, nada mais natural e justo que o centro das comemorações seja a cidade de São Paulo.

Nesse sentido, seria de grande importância que prefeitura da capital paulista, em conjunto com os governos estatuais e federais, criasse imediatamente um Comitê do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna, responsável pelo planejamento e organização de eventos comemorativos, como por exemplo:

1. OLIMPÍADAS 2020 – em 2003, Rio de Janeiro e São Paulo disputaram o direito de representarem o Brasil, na tentativa de trazer para o país as Olimpíadas de 2012, tendo os cariocas vencido a capital paulista, derrotada, em seguida, pelas cidades de Paris, Nova York, Moscou, Londres e Madri, as cinco finalistas, dentre as quais em julho próximo será escolhida a sede do evento daquele ano. Mais uma vez cabe observar que, enquanto os australianos já sediaram duas Olimpíadas (Melbourne 56 e Sidney 2000); a Ásia, duas (Tóquio 64 e Seul 88), os Estados Unidos, quatro, sendo duas em Los Angeles (32 e 94); a América do Sul nunca foi contemplada, sendo o mais próximo que as Olimpíadas chegaram do continente foi a cidade do México, em 1968.

2. EXPOSIÇÃO MUNDIAL 2020-2022 – marcos no desenvolvimento das ciências humanas, oportunidade para que o mundo tome conhecimento dos principais avanços obtidos por seus cientistas e por suas indústrias, a par da evolução dos movimentos artísticos internacionais, as Exposições Mundiais são eventos de mega repercussão, tendo a primeira sido realizada em Londres, em 1851, e através dos tempos marcado as cidades por que passou, valendo lembrar, a título de exemplo, que a Torre Eiffel foi edificada para a Expo Paris 1889. Cabe observar que, das 60 Expo Mundiais, nenhuma foi realizada na América do Sul, sendo que o continente australiano já foi contemplado por duas vezes (Melbourne, 1880, e Brisbane, 1988), os Estados Unidos por 11 vezes e a Ásia, quatro vezes (3 no Japão e 1 na Coréia), sendo que duas das três já aprovadas também serão no continente asiático (este ano em Aichi, no Japão, e em 2010, Shangai, na China). Em 2008, a Espanha estará realizando sua quarta Expo Mundial, em Zaragoza, (as anteriores foram em 1888 e 1929, em Barcelona, e 1992 em Sevilha).

3. COPA DO MUNDO 2022 – o Brasil não recebe uma Copa do Mundo desde 1950, de triste lembrança. Justamente o país símbolo maior do futebol, que deu ao mundo alguns de seus maiores atletas em todos os tempos (Pelé, Garrincha, Romário, Zico e, hoje, Ronaldo e Ronaldinho), o único tetracampeão, que teve na presidência de sua entidade maior, por mais de vinte anos, o brasileiro João Havelange. Considerando que no ano que vem a Copa volta para a Alemanha e, em 2010, pela primeira vez visitará o continente africano, sendo jogada na África do Sul; apesar de muitos estarem pensando em trabalhar para que em 2014 seja realizada no Brasil, seria muito mais consistente iniciarmos um trabalho de longo prazo para que a Copa do Mundo de 2022 seja no Brasil, marcando as comemorações do Bicentenário de nossa Independência.

É chegada a hora de nossos governantes esquecerem suas porfias eleitorais e pensarem no futuro deste país, tendo a coragem cívica dos homens que construíram a São Paulo em que vivemos, “com todos seus problemas sociais e mazelas”, mas com grandeza, acreditando, sempre, num futuro melhor.

Nesse momento histórico em que tanto a chefia dos executivos federal, estadual e municipal estão ocupadas por paulistas (acho que assim podemos considerar o nordestino Lula), seria a oportunidade de se constituir um Comitê Multipartidário, que teria como único objetivo planejar e organizar as comemorações do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna.

(*) Sergio Junqueira Arantes, editor da revista EVENTOS

Artigo publicado na revista EVENTOS n. 36


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