Uakti* Ara forma terapeutas comunitários em quatro municípios do litoral Norte
Profissionais da área de saúde das cidades de Caraguátatuba, Ubatuba, Ilha bela e São Sebastião têm a oportunidade de receber formação em terapia comunitária. O projeto faz parte de um convênio firmado entre o Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Ceará e tem como objetivo desenvolver nos profissionais dessa área, através de módulos teóricos e práticos, as competências necessárias para promover as redes de apoio social na atenção primária da saúde.
O programa prevê a capacitação de 1.050 profissionais da rede básica até o final do ano em 15 estados. Em São Paulo capital, a formação ficou a cargo de 12 pólos formadores que compõe a teia paulistana sob a coordenação do pólo Uakti* Ara. Juntos, os 12 pólos formarão 80 profissionais – entre médicos, enfermeiros, dentistas, auxiliares de enfermagem, agentes comunitários de saúde etc. – dos quatro municípios do litoral Norte já citados.
A ação, que começou em agosto e tem término previsto para dezembro, inclui 360 horas, divididas em 160 teóricas, 120 práticas e 80 destinadas à supervisão. O principal foco da Terapia Comunitária é a percepção do cidadão como um todo, reforçando a dinâmica interna de cada individuo para que possa redescobrir seus valores, suas potencialidades e tornar-se mais autônomo, menos dependente e abrindo novos horizontes para a conquista da qualidade de vida. Sua difusão implica em capacitar pessoas e implementar ações preventivas de Saúde Pública, constituindo tema de interesse preferencial de profissionais.
Por que Uakti*Ara?
A etimologia do nome, cunhado e adotado pela especialista Maria Selma da Silva Nascimento, remonta à história do índio Uakti, natural do Vale do Rio Negro (AM). Uakti tinha alguns sinais físicos atípicos que o diferenciavam dos outros. Por essa razão, fôra morto por um membro da tribo. Ou seja: Uakti foi cruelmente punido por ser diferente. O sufixo Ara, em tupi-guarani, significa ‘renascimento’. Portanto, o nome Uakti*Ara corresponde, literalmente, ao “renascimento do índio Uakti”. No contexto da Terapia Comunitária, que lida, fundamentalmente, com “coabitação das diferenças”, a analogia faz todo sentido.