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Terapia Comunitária como recurso de inclusão social

O Ministério da Saúde tem a proposta de incorporar a Terapia Comunitária como instrumento estratégico no Programa Saúde da Família

Hoje, existem no Brasil cerca de 11 mil terapeutas comunitários. O IBDPH – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Pessoa Humana, subvenciona a formação de centenas de novos terapeutas, no Estado de São Paulo e interior da Paraíba. Nos municípios onde a instituição mantém parceria, já foram beneficiadas quase 50 mil pessoas, em mais de 2.700 sessões de Terapia Comunitária. O Ministério da Saúde está firmando convênio com a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura para o desenvolvimento de projeto amplo de Terapia Comunitária integrado ao Programa de Saúde da Família. A iniciativa conta com a consultoria do IBDPH.

O principal foco da Terapia Comunitária é a percepção do cidadão como um todo, garantindo a superação das reais dificuldades e abrindo novos horizontes para a conquista da qualidade de vida. Sua difusão implica em capacitar pessoas e implementar ações preventivas de Saúde Pública, constituindo tema de interesse preferencial de profissionais dedicados às áreas de saúde, educação, promoção social e trabalho comunitário.

Para desenvolver matéria sobre o papel da Terapia Comunitária no enfrentamento de desigualdades sociais agudas e suas decorrências, sob a forma de conflitos familiares; violência urbana e doméstica; desemprego; solidão; falta de moradia; discriminação; auto-estima baixa; perda da identidade, cidadania e da própria dignidade, sugerimos entrevista com a fundadora e coordenadora do Pólo Uakti*Ara, a especialista Maria Selma da Silva Nascimento, que também é membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Terapia Comunitária.

Lançado no início dos anos 90 em Belém do Pará, o Uakti*Ara irradiou a experiência bem sucedida para São Paulo, a partir de 2000. Em 2006, o Uakti*Ara firmou parceria histórica com o IBDPH, que passou a utilizar a Terapia Comunitária para capacitar profissionais e implementar ações preventivas em Saúde Pública. Hoje, o IBDPH é a OSCIP que possui o maior número de turmas de Terapia Comunitária no Brasil, através do pólo de formação Uakti*Ara. A semente germinou e hoje frutifica.

Por que Uakti*Ara?

A etimologia do nome, cunhado e adotado pela especialista Maria Selma da Silva Nascimento, remonta à história do índio Uakti, natural do Vale do Rio Negro (AM). Uakti tinha alguns sinais físicos atípicos que o diferenciavam dos outros. Por essa razão, fora morto por um membro da tribo. Ou seja: Uakti foi cruelmente punido por ser diferente. O sufixo Ara, em tupi-guarani, significa ‘renascimento’. Portanto, o nome Uakti*Ara corresponde, literalmente, ao “renascimento do índio Uakti”. No contexto da Terapia Comunitária, que lida, fundamentalmente, com “coabitação das diferenças”, a analogia faz todo sentido.


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