Um novo caminho para o turismo rodoviário está em construção. De alterações nas leis que o regulamentam até a configuração de trajetórias fixas, sempre associadas a roteiros regionalizados e incorporação de outros serviços turísticos, o segmento passará por mudanças que em tese devem beneficiar a atividade e quem vive dela.
O polêmico assunto foi discutido na palestra Turismo sobre Rodas proferida por um time de especialistas no congresso ABAV, ontem dia 25. Salvador Saladino, Diretor Financeiro e de Patrimônio da ABAV coordenou os trabalhos, que contou com as presenças dos especialistas Ricardo Moesh, coordenador do Ministério do Turismo, Luiz Alberto Grande, gerente executivo da ANTT, Cezar Deterling, diretor da ABAV-RJ e Carmen Marun, diretora de relações com o mercado da ABAV Nacional.
Usando como parâmetro o sucesso de pacotes rodoviários como o programa Viaja Mais-Melhor Idade do Ministério do Turismo, Ricardo Moesh informou que a Lei Geral do Turismo é uma conquista que permitirá ao Mtur interferir com mais força na definição das linhas gerais de funcionamento para o setor e seus marcos regulatórios. “O Ministério considera o turismo rodoviário um novo segmento a ser explorado, assim como o Viaja Mais, que se bem trabalhado pode estar nas prateleiras da Embratur como um produto diferenciado, até mesmo para o turismo Internacional”, disse o especialista. E reforçou que “o turismo rodoviário está sendo visto pelo Mtur como um fator de inclusão social e dentro de uma política de desenvolvimento regional e fortalecimento do turismo interno, até mesmo como uma resposta a essa crise”, disse Moesh.
Mas hoje a atividade ligada a este tipo de transporte, que movimenta 450 milhões de passageiros por ano-dos quais 110 milhões estão relacionados a produtos turísticos-, tem na burocracia; centralização; enfrentamento dos empresários permissionários que vêem concorrência na prática desse tipo de turismo, e a própria falta de definição do que é o turismo rodoviário seus maiores desafios.
“Regras inadequadas e um entendimento pouco claro em relação a este segmento vêem engessando o crescimento do turismo rodoviário”, enfatizou Cezar Deterling. Dentro do mesmo raciocínio, Carmen Marun enfatizou que “deve ser excluído do apertado regime próprio dos serviços públicos o transporte de Fretamento e Turismo”, fazendo alusão à excessiva intervenção do Estado na atividade privada.
Por sua vez o gerente executivo da ANTT, Luiz Alberto Grande, garantiu que a agência está trabalhando para oferecer serviços mais ágeis e simplificados e que o órgão estuda a possibilidade de investir em plataformas tecnológicas para responder a essa situação. “A ANTT vai seguir à risca as orientações do Mtur, assim que ficar mais claro o novo modelo em gestação, e sua regulamentação”, reforçou.
Questões importantes foram levantadas pela ABAV e pelos participantes, tais como: cadastro anual para as agências de turismo; dispensa de licença ou autorização para cada viagem; possibilidade de emenda na lista de passeios em tempo menor que o atual, que é de três dias;reconhecimento e desburocratização das operações conjugadas com aviões, navios e trens; venda de serviços vinculados às excursões nas capitais e cidades; delimitação das atividades das transportadoras turísticas e questões ligadas ao uso de determinados veículos nas regiões de fronteira.
Ricardo Moesh tranqüilizou a platéia informando que o novo modelo será construído a partir de uma ampla consulta aos profissionais e empresários do setor, e que todas estas colocações estão sendo levadas em consideração pelo Mtur. “Todos podem se manifestar através dos Fóruns e conselhos de turismo, de âmbito estadual e municipal, além do próprio canal do ministério, que é sua ouvidoria”, concluiu.
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