Anacronismo
Em 1990, praticamente se reiterou o pensamento de 1975, porém o mundo evoluiu muito de lá para cá. É certo que o século XX representou uma evolução tecnológica mais acelerada que as de todos os séculos anteriores, mas também é verdade que em 1975 sequer havia a internet, um dos vários fatores que contribuíram para a transformação mais assombrosa de que se tem notícia na história comumente conhecida do planeta. Naquela época a sociedade humana, se locomovia, se analisava e se comunicava com recursos e visões profundamente primitivos se comparados aos atuais. Estava-se na época da datilografia, nem se conhecia em nossos países o computador. Comparar os jovens de 1975 com os atuais faz qualquer um assustar, chegando parecer impossível tal evolução. Os psicólogos e biólogos já constatam que boa parte das crianças de hoje estão nascendo com um par a mais de cromossomos ativados, o que significa estar a humanidade passando por verdadeira mutação genética que traz uma visão quântica da realidade, descomunalmente superior à antiga visão linear a que os adultos ainda estamos condicionados. O Japão, o Chile e outros países vêm pesquisando e mostrando isso ao mundo. Ora, um acordo assinado em 1990 está compatível com aquela época, em que o professor falava para um estudante que a exceção comprovava a regra e este ria para o professor, aquiescendo. Hoje o estudante (e qualquer indivíduo) ri de quem aceita regras com exceções. Não faz sentido perder tempo. Ou o que se lhe ensina é lógico, prático, ou não lhe desperta interesse. Não se quer saber de decorar. Quer-se entender. Contudo, o Acordo, por ser de outra época, apresenta inúmeras regras, com várias listas de exceções, intermináveis, pois seguidas de reticências. Concluindo: o Acordo é anacrônico, não se adéqua ao século XXI.
Ernani Pimentel