Fuga do objetivo
Como o próprio nome diz, o acordo é ortográfico e não ortofônico, ou seja, deve-se ater à grafia, à maneira de se escrever, sem que se afete a pronúncia... Mas, eliminou o trema, que, em sua essência, é um marcador de pronúncia. Será que os responsáveis por esse acordo não sabiam disso? Não importa a resposta, o trema é indiscutivelmente ortofônico e só deveria ser extinto se tivesse sido criado um outro mecanismo identificador da pronúncia... Em estilingue e trilíngue, o “gue” tem realizações fônicas que o leitor, com o trema, sabia distinguir e, sem ele, terá de perder tempo no dicionário. A lógica do acordo deveria ser simplificar ou dificultar? Pois é, dificultou.
Ernani Pimentel