Improvisação
A ortografia da Língua Portuguesa sempre foi tratada de maneira superficial e cada proposta de alteração (foram nove só no século passado – 1911, 1931, 1943, 1945, 1971, 1973, 1975, 1986, 1990) não passou de um exercício tímido para tentar cerzir ou remendar puídos de um tecido podre. Remenda-se aqui, rompe acolá; cirze-se acolá, desfia ali; costura-se ali, esgarça noutro lugar. Há de se ter coragem de tecer, substituir o pano. A Língua é viva, forte, viçosa, bela, no entanto envolta em trapos de múmia. O problema não está na Língua, está na ortografia, que precisa ser reestruturada, reconstruída com a visão deste século para os parâmetros atuais, mais racionais, claros, objetivos.
Ernani Pimentel