Audiência pública do Senado expõe falhas no acordo ortográfico
O professor Ernani Pimentel, representante do Movimento Acordar Melhor, promoveu reflexões e apontou soluções para incoerências no acordo ortográfico em audiência pública realizada nesta quarta-feira (4), no Senado.
Ernani Pimentel foi um dos expositores da primeira audiência realizada pelo Senado para discutir o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, posto em vigor recentemente pelo Brasil. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado ouviu renomados estudiosos e pesquisadores da língua, atendendo ao convite da senadora Marisa Serrano.
Além do professor, expuseram seus pontos de vista Leodegário Amarante de Azevedo Filho, presidente da Academia Brasileira de Filologia, e Walter Esteves Garcia, representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação.
Em sua apresentação, Ernani lembrou que o acordo foi assinado em 1990, com base em acertos de 1975, porém o mundo evoluiu muito de lá pra cá. Ele compara os jovens da época com os atuais. “Hoje, o estudante não aceita exceção e outras ilogicidades, no entanto, o acordo apresenta inúmeras regras, com várias exceções”, critica duramente o professor. Além de anacrônico, o acordo foge de seus objetivos, traz excepcionalidades inúteis e regras ilógicas. Como solução, o professor alertou sobre a importância de se promover uma discussão democrática e aberta para a reforma da grafia.
O senador Flávio Arns, presente no evento, elogiou a exposição. “A audiência foi extremamente rica para a discussão de uma reforma”, afirmou o senador. Ele também acrescentou estar abismado com as dificuldades que o novo acordo traz para o cidadão. O senador Cristovam Buarque também defendeu a revisão do acordo.
A senadora Marisa Serrano sugeriu que o Congresso Nacional aprove uma lei que autorize o governo a indicar modificações no texto da reforma ortográfica.