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Sugestão de Pauta - Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
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Pauta | Administração

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Sugestão de Pauta - Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Entrevistado: Professor Ernani Pimentel, especialista em Língua Portuguesa, autor de vários livros sobre o tema e diretor-presidente da Vesticon – www.vesticon.com.br



- Qual a sua opinião sobre o Acordo Ortográfico?

Prof. Ernani Pimentel: Embora tenha consumido muito tempo, devido às contingências de interesses políticos, no que se refere ao aspecto lingüístico mostra improvisação e falta de profundidade.

- O senhor prevê problemas na implantação das novas regras ou acredita que essa transição será suave?

Prof. Ernani Pimentel: Há quatro anos de transição, em que estarão valendo as regras anteriores e as atuais. Isso permitirá uma mudança lenta e gradativa, sem previsão de maiores problemas.

- Há algum ponto controverso em relação ao Acordo?

Prof. Ernani Pimentel: Sim, por exemplo, a eliminação do trema, pode vir a facilitar as redações dos jornais e outros periódicos, mas poderá trazer outros problemas. Leia o seguinte trecho: “O inquilino participou, com a devida equidistância, de um inquérito trilíngue sobre o uso de espécimes equestres equevos em corridas oficiais sem os equipamentos equipartidos e equilibrados.” Se você não sabe o significado das palavras, pode ir ao dicionário e ter suas dúvidas esclarecidas, porém como saberá qual a pronúncia correta? “ inkilino ou inkuilino, ekidistância ou ekuidistância, inkérito ou inkuérito, trilíngue ou trilíngüe, ekestres ou ekuestres, ekevos ou ekuevos, ekipamentos ou ekuipamentos, ekipartidos ou ekuipartidos, ekilibrados ou ekuilibrados ?”

- Um dos casos que causam mais dúvidas é o hífen?

Prof. Ernani Pimentel: O uso do hífen, de certa forma, ficou mais simples, porém pode ser ainda melhorado, porque, em vários casos, o acordo mantém exceções, que dificultam o processo de ensino-aprendizagem. Era o momento certo para se eliminarem as exceções.

- O senhor vê algum outro ponto que merece ser melhorado?

Prof. Ernani Pimentel: Há outros, sim. Veja os três grupos a seguir

1º. Viagem – no século XIV, viajen – trocou o “j” por “g” no século seguinte, sem qualquer justificativa plausível. Seiscentos anos depois, qual o motivo de estarmos escrevendo viajem, viagem, viajante, viageiro, viajor... , ora com g, ora com j ?

2º. Extensão, estender, extensivo, estendal, extensível, estendido, extenso, estendível, extensor, por que essa confusão de grafia, ora com x, ora com s, se todas essas palavras derivam de extendere, com x ?

3º. Algeroz, aljôfar, algema, alforje, álgebra... se os gramáticos informam que as nossas palavras de origem árabe devem ser escritas com j, qual a razão de existirem delas grafadas com g ?

- Isso prejudica também o trabalho de professores e alunos?

Prof. Ernani Pimentel: É verdade, mas a pior conseqüência dessa confusão é o altíssimo custo pago pelo país para manutenção de uma ortografia desorganizada. Pense em quanto tempo, na sua vida inteira, você gasta, consultando gramáticas e dicionários ou perguntando ao vizinho na hora de escrever... Multiplique isso pela população brasileira, e verá o quanto de trabalho produtivo perde o país.

- Qual a sua opinião sobre a seguinte afirmação: “apesar da boa intenção de agregar culturas, a reforma é uma perda, porque quando nivelamos a língua perdemos um pouco de nossa identidade cultural” ?

Prof. Ernani Pimentel: A língua não é a forma de escrever. É o conjunto das experiências ancestrais e atuais de um povo, e é uma forma de ver o universo, que se manifestam na existência de seus signos e suas possibilidades articulatórias. A forma de escrever é apenas um detalhe e não a espinha da língua. Padronizar a grafia das palavras é muito importante para facilitar o entrosamento dos países e fortalecer suas relações. Não se está nivelando a língua.

- Como ficam os vestibulares e concursos em relação ao Acordo? A Reforma vai virar pegadinha nas provas?

Prof. Ernani Pimentel: Os vestibulares e concursos são regidos pelos editais, que deverão explicitar – alguns já estão se antecipando para fazê-lo – a exigência da nova ou antiga ortografia. As bancas examinadoras mais organizadas e esclarecidas deverão fazer constar nos editais a adoção da nova ortografia. Caso o edital não deixe claro, podem cair questões de ambas as visões. Quanto a virar “pegadinha” as equipes organizadoras de concursos e vestibulares tendem a fugir desse tipo de questão, porque ele não ajuda a escolher os melhores candidatos para o exercício de seus misteres.






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