Breve perfil institucional: Bar do Alemão
Fundado no final da década de 60, o Bar do Alemão teve sua efervescência na década seguinte, com suas históricas rodas boêmias freqüentadas por artistas, jornalistas e músicos. O primeiro dono, Murilo, fechava o bar depois das oito, e só permitia a entrada de fregueses músicos. O seguinte proprietário, Dagô do Pandeiro, trouxe para a casa Nelsinho do Cavaco, e a presença de ambos garantia a música, enriquecida pelo rodízio com alguns dos melhores músicos do país.
A tradição sempre foi o fundamento desse bar, onde se reuniam, na famosa “Mesa 8”, desde a então jovem geração de compositores paulistas, da primeira linhagem do samba carioca, de Cartola e Nelson Cavaquinho a Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro, intérpretes como Clara Nunes, e a nata do samba paulistano, representada por Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, e o compositor Eduardo Gudin, atualmente um dos donos do espaço, e cuja capa do primeiro LP traz o retrato do bar em seu auge, em 1973 – retrato de uma época,e de um Brasil.
Incessante, o bar atravessou a década de 80, com menor atividade, mas reservando seu esplendor e mantendo a tradição por meio de um elogiado cardápio. Suas paredes, ilustradas por fotos de artistas que marcaram a história da música popular brasileira (e que no bar deixaram o rastro da memória), hoje agregam fotos novas personalidades que, semanalmente, realizam rodas de samba e choro, processo de retomada de certo movimento musical que, espontaneamente, vem se tornando um marco nas noites da cidade de São Paulo.